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Moscou, 1990: quando viajantes trotskistas encontraram a realidade soviética

Um breve momento de cooperação em meio ao colapso soviético nos faz lembrar da necessidade da solidariedade internacional.

Participantes de um seminário no Hotel Sputnik no 50º aniversário da morte de Trotsky, agosto de 1990
Participantes de um seminário no Hotel Sputnik no 50º aniversário da morte de Trotsky, agosto de 1990 - Simon Pirani
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Trinta anos atrás, em agosto, estudantes russos, pesquisadores, representantes de um sindicato de mineiros independentes recém-formado e ativistas políticos se reuniram em Moscou para um seminário para ressuscitar a memória de Leon Trotsky.

Eles se juntaram aos devotos de Trotsky da Europa ocidental, que chegaram à União Soviética na esperança de tornar as ideias de seu herói relevantes, em um momento em que a democratização, os movimentos pelos direitos nacionais e uma corrida em direção à economia de mercado colapsavam o país.

Eu era um deles. Eu aterrissei no aeroporto Sheremetyevo de Moscou, minha mala lotada de panfletos de Trotsky denunciando o stalinismo, reimpressos por trotskistas húngaros exilados na França. Os funcionários da alfândega que a inspecionaram estavam mais preocupados em verificar que eu não era um comerciante do mercado negro do que em julgar se os panfletos poderiam ser sediciosos.