
Barack Obama, Michelle Obama e Dilma Rousseff. Asuntos del Sur. Todos os direitos reservados.
Pode-se falar de final de ciclo para os governos progressistas da América Latina? Quando os triunfos eleitorais se sucederam recentemente no Uruguai, Brasil, El Salvador e Bolívia, a pergunta pareceu dissipar-se. Mas regressou por outros caminhos. Não necessariamente através das também recentes derrotas em grandes cidades ou regiões do Brasil, Equador, Argentina ou Bolívia. Estas têm tido certo peso simbólico mas parecem remeter-se a um novo equilíbrio mais que à interrupção do apoio a nível nacional. Longe das urnas, mais bem, um possível momento de mudança ainda indeterminada parece perceber-se no esgotamento de um modelo e na transformação interna da narrativa política progressista, plurinacional ou bolivariana.
Tanto à esquerda como à direita do espaço político em que os governos progressistas se estabelecem como centro, assistimos uma reordenação de forças e mobilização em vários países. O mapa da situação política não é homogêneo nem pode ser generalizado, mas certa inquietude é transmitida desde a razão “governista”, termo utilizado no Brasil para referir-se à defesa militante do governo que não aceita nem a mais mínima crítica. Nesse país, após as primeiras medidas de governo que seguiram ao triunfo por mínima diferença nas eleições de outubro de 2014, o “governismo” mostra uma notável dificuldade para sustentar o “relato” no qual se apoia.