A Organização Mundial do Comércio (OMC) termina 2020 na pior crise de sua história: sem diretor-geral e sem um tribunal para fazer cumprir as regras do comércio internacional. Esta paralisia é alarmante. Como órgão responsável por garantir que o comércio entre países seja conduzido da maneira mais suave, previsível e livre possível e por promover uma ordem comercial internacional baseada na transparência, não-discriminação e reciprocidade, a OMC tem um papel central no funcionamento da economia mundial que não está exercendo atualmente. Embora não faça parte da Organização das Nações Unidas ou das instituições financeiras multilaterais (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional), a OMC reúne 164 membros que representam 98% do comércio mundial.
As raízes da crise
A criação da OMC em 1995 foi o resultado de sete anos de negociações para modificar o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), assinado em 1947 por um pequeno grupo de países industrializados, a fim de adaptar as regras do comércio internacional à realidade de uma economia globalizada, na qual os países em desenvolvimento estavam começando a desempenhar um papel cada vez mais predominante.
Uma nova negociação começou em 2001, conhecida como Rodada Doha, com o objetivo de aprofundar ainda mais a liberalização do comércio e alcançar um novo acordo de comércio internacional que respondesse às necessidades e dificuldades dos países menos desenvolvidos.