Após 28 anos de sua primeira edição, os Estados Unidos voltam a sediar a Cúpula das Américas. Em seu nono capítulo, a reunião realizada em Los Angeles de 6 a 10 de junho terá o lema: "construindo um futuro sustentável, resiliente e equitativo". No entanto, o panorama não parece favorável para que o evento alcance seu objetivo de avançar a integração regional.
Os EUA não têm um plano claro para a América Latina. Enquanto isso, a China vem conquistando espaço e influência ao mesmo tempo em a Rússia continua a desestabilizar o Ocidente, aproveitando a profunda animosidade de uma grande parte da sociedade latino-americana em relação ao imperialismo norte-americano, cujos abusos na região durante a Guerra Fria ainda estão frescos na memória. A grande distração dos EUA com as guerras no Afeganistão e no Iraque nas últimas duas décadas deixou um espaço geopolítico na América Latina que foi bem explorado por seus rivais.
A Cúpula das Américas, que ocorre a cada três ou quatro anos em um país diferente, é o único evento que reúne todos os chefes de Estado e de governo do hemisfério. A primeira cúpula foi realizada em Miami em dezembro de 1994, formalizando uma série de reuniões ad hoc que aconteciam desde a criação da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1948. E embora o evento seja independente da estrutura da OEA, a cúpula é frequentemente vista como o fórum de mais alto nível entre seus países membros.