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O que Portugal pode nos ensinar sobre a extrema direita?

O recente sucesso da extrema direita no mundo se da porque o sistema liberal atual se autoproclamou uma democracia plena.

André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, durante uma manifestação em Lisboa, Portugal, em 27 de junho de 202
André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, durante uma manifestação em Lisboa, Portugal, em 27 de junho de 2020
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Pessoalmente, tive o azar de morar no Rio de Janeiro quando Jair Bolsonaro ascendeu como o deputado mais votado da história do estado e depois estar vivendo nos Estados Unidos quando Donald Trump venceu as primárias republicanas. Esse ano, morando em Portugal, o pesadelo parece retornar. André Ventura, o nome local da extrema direita continua ganhando terreno a uma velocidade impressionante. Seu partido obteve 1.29% dos votos nas eleições legislativas em outubro de 2019, conseguindo eleger pela primeira vez um deputado. Pouco mais de um ano depois, André Ventura recebeu 12% dos votos na eleição presidencial de janeiro de 2021.

Considerando as realidades sociais de cada um dos seus países, Trump e Bolsonaro sempre me pareceram ter discursos muito “vendáveis” e que seriam facilmente aceitos por parte da população. As duas sociedades tinham problemas inegáveis e os dois futuros presidentes tinham respostas a esses problemas. Bolsonaro era um capitão reformado do exército brasileiro que propunha uma forte resposta a violência e crime que atingem o Brasil. Trump era um outsider num país que achou em seu grande número de imigrantes o inimigo perfeito que “lhes roubava oportunidades de emprego”. Ambos eram vozes não democráticas e racistas que propunham respostas simplistas a problemas sociais complexos.

No continente americano, me parecia fácil entender seus sucessos eleitorais. E quanto a André Ventura? Devemos então apresentar uma contextualização da situação social portuguesa.