
O Vicepresidente da Bolivia, Alvaro García Linares com o Presidente Evo Morales (ambos na izquierda) junto ao Vicepresidente do Nicaragua, Moses Hallesleves e ao Ministtro de Comunicaçao da Venezuela, Ernesto Villegas, nun evento em 2013.
Nos dias 29 e 30 de setembro teve lugar em Quito, o Encontro Latino-Americano Progressista (ELAP, 2015). Sob um ardente sol equatorial e a 2800 metros de altura, rodeados de vulcões-um deles o Cotopaxi, ativo desde já alguns meses- os debates desenvolveram-se numa atmosfera serena e afável. Entre os líderes, funcionários e académicos presentes gostava de ressaltar duas das apresentações (as de Atílio Borón e de Garcia Linera) pela forma direta na qual falaram sobre um tema que se pôs de moda ultimamente: o suposto “fim de ciclo” dos governos progressistas da América Latina. Que este tema fosse o ponto de partida das apresentações de dois dos mais lúcidos intelectuais na área dos processos progressistas da região, sublinha a importância do tema hoje em dia.
Atílio Borón sublinhou que os presságios de fim de ciclo são planteados desde uma “posição de saber” (analistas que supostamente sabem o que é o socialismo). Estes autoproclamados especialistas fizeram-lhe recordar as palavras de Fidel: “entre os muitos erros que cometemos, o mais importante foi acreditar que alguém sabia alguma coisa sobre o socialismo, ou como se constrói o socialismo”. Citou também Salvador Allende, que perante as críticas avisou que o processo chileno era uma transição em direção ao socialismo. Das reflexões de ambos líderes, Borón conclui que os prognosticadores do “fim de ciclo” cometem um erro garrafal ao acusar os governos progressistas de modernização capitalista”. Assinalou que modernização capitalistas é o que faz Rajoy em Espanha, Cameron na Inglaterra ou a Troika na Grécia.