O México vive hoje um retrocesso democrático sob o governo do presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO). Isso é certo. O que é menos certo é se este é o início da implementação de uma democracia mais autêntica, ou se estamos caminhando para um novo regime autoritário. Hoje, os sinais do governo sugerem que o segundo cenário é mais provável. Nos últimos meses, AMLO parece estar mais interessado em colocar as instituições democráticas sob seu controle do que em reformá-las para torná-las mais autônomas e eficientes.
Comecemos com o óbvio: os sinais de regressão democrática no México estão em toda parte. Vou focar em duas.
O primeiro são os constantes ataques de AMLO e de seu partido, o Movimento pela Regeneração Nacional (MORENA), ao Instituto Nacional Eleitoral (INE) e, mais recentemente, ao Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário Federal (TEPJF). Em 28 de Abril, o presidente declarou que o “TEPJF e o INE foram criados para que não haja democracia”. É surpreendente ouvir um líder eleito falar desta maneira, especialmente um que se aproveitou ao máximo das liberdades e oportunidades trazidas pela transição democrática (1977-1996).