Eu nasci em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Eu nasci em uma família grande – eu sou a segunda filha da minha família e tenho uma irmã gêmea. Eu deixei a RDC para se juntar ao meu marido, que veio viver no Brasil. Nós estávamos enfrentando problemas financeiros lá, além da guerra que existe no meu país. Meu marido vive no Brasil já faz seis anos. Eu cheguei tem dois anos.
Infelizmente, a vida não é fácil aqui. Eu não estou trabalhando no momento, mas eu estudei no Congo e sempre trabalhei com a minha família. Eu trabalhei em um supermercado familiar, como caixa. Aqui, no Brasil, é muito difícil para imigrantes conseguirem trabalho, então nós lutamos muito.
Eu me juntei a um grupo chamado “Mulheres do Brasil”. Nesse grupo, nós tivemos a oportunidade de fazer alguns estágios de emprego. Escrevemos alguns currículos e os distribuímos nas empresas, mas a maioria das empresas não te liga de volta. Apenas o Carrefour, o supermercado, nos ofereceu um trabalho. Esse foi o meu primeiro trabalho no Brasil. Eu fiquei muito feliz quando consegui, mas no final, eu trabalhei lá apenas uma semana. No contrato estava escrito que eu deveria trabalhar das 8 horas da manhã até às 17 horas da tarde, e meu salário seria de 700 reais. Eu estava trabalhando registrada, mas infelizmente eles me fizeram trabalhar como uma escrava. Eles não respeitavam o contrato – eu estava trabalhando das 8 horas da manhã até às 23:300 horas da noite. Eu sou uma mulher casada, isso era muito difícil, porque eu tenho a obrigação de cuidar do meu marido. Além disso, era muito perigoso sair naquele horário. Eu chegava em casa por volta de 1 hora da madrugada, e existe muita violência no Brasil; alguma coisa ruim poderia acontecer comigo. Eu decidi que seria melhor deixar o trabalho, porque não era seguro para mim. Depois disso, eu não encontrei outro trabalho.