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‘Nós tivemos que fugir’

Nove mulheres revelam os motivos que as levaram até o Brasil e quais foram suas experiências no país. Nem todas as histórias de migração são iguais.

‘Nós tivemos que fugir’
Congolese displaced by fighting queue for food in 2012. | James Akena/Reuters/Alamy Stock Photo. All rights reserved
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Eu nasci em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, mas eu não cresci lá. Meu pai era servidor público no Ministério da Saúde. Nós tínhamos que viajar muito por causa do seu trabalho e vivemos em diferentes partes do país. A última província que nós vivemos foi em Bandundu, lugar onde meu pai nasceu. Em dezembro de 2018 aconteceu um massacre em um lugar chamado Zumbi. Eu não gostaria de dar muitos detalhes, mas o meu pai foi morto durante este massacre. Nós tivemos que fugir, e enquanto fugíamos para longe eu acabei me perdendo da minha família e do meu marido. Nós acabamos seguindo caminhos diferentes.

Junto a um grupo de pessoas, eu fugi, através da floresta, em direção ao Rio Congo. Nós conseguimos chegar a um lugar chamado Brazzaville, mas muitas pessoas morreram pelo caminho. O governo nos deu boas-vindas em Brazzaville, mas toda a jornada foi realmente muito difícil. Eu estava grávida e minha condição de saúde havia piorado. Eu acabei ficando com anemia.

As pessoas em Brazzaville me deram suporte para escapar e conseguir refúgio no Brasil. Mas, a vida no Brasil tem sido difícil. Eu digo isto pois ainda estou enfrentando tempos difíceis. No Brasil, a minha primeira luta veio por causa da rejeição. Eu sou frequentemente rejeitada pelas pessoas. Quando eu cheguei eu vivi em um abrigo com imigrantes venezuelanos, e eles me rejeitaram bastante porque eu sou negra. Eles diziam que negros eram sujos, entre outras coisas. Eu vivi neste abrigo por dois meses, depois eles me mandaram embora, sem nenhuma justificativa.