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A tolerância de Portugal frente à corrupção

A corrupção e o racismo institucionais têm andado de mãos dadas em Portugal, permitindo às elites angolanas a prática criminosa. English Español

A tolerância de Portugal frente à corrupção
Vista aérea da ponte Vasco da Gama, Lisboa, Portugal - Airpano Llc/Zuma Press/PA Images. Todos os direitos reservados
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A ideia de uma nação corrupta muitas vezes evoca imagens de um país pobre ou em desenvolvimento. Mas a corrupção pode ser igualmente comum nos países desenvolvidos, e é. A corrupção é generalizada e está profundamente enraizada no sistema econômico e político em todo o mundo. Mas os mecanismos de combate da corrupção, apesar de um sistema judicial sólido e independente, dependem muito da força ou fraqueza das instituições, bem como da existência de vontade política.

De imediato, se pensaria no Brasil, com seu imenso esquema da Lava Jato e o escândalo da Odebrecht, com tentáculos na maioria dos países latino-americanos, e até em Angola, na África. No entanto, um país que demonstra como a corrupção também afeta o mundo desenvolvido é Portugal. A complacência no coração do sistema português, bem como a sua atitude preconceituosa para com as pessoas de cor, seu racismo, combinaram-se para fazer da antiga potência colonial um centro de crimes financeiros, crimes que privam pessoas mais pobres da sua riqueza.

Em nenhum lugar isso fica mais claro do que em sua relação tempestuosa com a ex-colônia Angola, na qual a insaciável sede de Lisboa por riquezas permitiu que causasse uma reviravolta em Luanda. Angola foi uma colônia portuguesa durante 400 anos. Tendo saqueado o país entre 1575 e 1975, Portugal, hoje, colabora para que o país saquei-se a si próprio. Existe uma ligação clara entre a permissividade de Portugal em relação à corrupção e o seu racismo.