Terça-feira, 26 de novembro de 2019. Quatro bombeiros voluntários (brigadistas) acusados de incêndio criminoso são detidos e presos de surpresa. A Polícia Civil, sem mostrar ordem judicial e armada até os dentes com espingardas automáticas, entra e exige documentação, computadores e até dinheiro na sede do Projeto Saúde e Alegria (PSA), uma ONG respeitada, que trabalha há décadas pela saúde e melhoria social das comunidades na região de Santarém, Pará.
Se não estivéssemos no Brasil e não vivêssemos uma guerra suja do governo contra as ONGs, não acreditaríamos no que estamos vendo. Com os eventos de ontem, a reação das autoridades brasileiras ao escândalo internacional que provocou os grandes incêndios que a Amazônia viveu no verão passado ganha uma nova aparência sinistra.
Primeiro, em julho, Bolsonaro negou a extensão da catástrofe e questionou os dados científicos fornecidos. Logo, se fez de ofendido e acusou a comunidade internacional de querer minar a soberania brasileira, cobiçar a selva como uma virgem (sic) e querer se apropriar do imenso território amazônico. E, finalmente, ele teve que admitir que os incêndios estavam fora de controle e convocar, já tarde demais, um exército mal preparado para desempenhar as funções de bombeiro.