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Bombeiros pirómanos na Amazônia?

O governo Bolsonaro tenta acusar as ONGs de fazer da defesa da Amazônia um negócio lucrativo para transformar notícias em mero espetáculo. Español

Bombeiros pirómanos na Amazônia?
21 de agosto de 2019, Brasil, São Gabriel da Cachoeira: fumaça levanta da floresta em uma região amazônica perto da fronteira com a Colômbia. - Foto: Chico Batata/DPA/PA Images. Todos os direitos reservados.
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Terça-feira, 26 de novembro de 2019. Quatro bombeiros voluntários (brigadistas) acusados de incêndio criminoso são detidos e presos de surpresa. A Polícia Civil, sem mostrar ordem judicial e armada até os dentes com espingardas automáticas, entra e exige documentação, computadores e até dinheiro na sede do Projeto Saúde e Alegria (PSA), uma ONG respeitada, que trabalha há décadas pela saúde e melhoria social das comunidades na região de Santarém, Pará.

Se não estivéssemos no Brasil e não vivêssemos uma guerra suja do governo contra as ONGs, não acreditaríamos no que estamos vendo. Com os eventos de ontem, a reação das autoridades brasileiras ao escândalo internacional que provocou os grandes incêndios que a Amazônia viveu no verão passado ganha uma nova aparência sinistra.

Primeiro, em julho, Bolsonaro negou a extensão da catástrofe e questionou os dados científicos fornecidos. Logo, se fez de ofendido e acusou a comunidade internacional de querer minar a soberania brasileira, cobiçar a selva como uma virgem (sic) e querer se apropriar do imenso território amazônico. E, finalmente, ele teve que admitir que os incêndios estavam fora de controle e convocar, já tarde demais, um exército mal preparado para desempenhar as funções de bombeiro.