Quando Gabriel Boric, de 36 anos, tomou posse na sexta-feira como o presidente mais jovem da história do Chile, ele imediatamente passou a enfrentar a necessidade de resolver o que é paradoxalmente o problema mais antigo desta nação andina desde antes de sua independência em 1810.
Já em 1796, José Cos de Iriberri, comerciante chileno, enalteceu “a opulência e riqueza” da terra, enquanto lamentou: “Quem imaginaria que em meio a tanta abundância haveria uma população tão escassa gemendo sob o pesado jugo de pobreza, miséria e vício”.
É claro que o fantasma de Iriberri (que habitou uma província espanhola de menos de um milhão de almas) não reconheceria o Chile contemporâneo, uma nação de 20 milhões de pessoas que geme sob o jugo de problemas típicos do século 21. E, no entanto, ele observaria que a desigualdade, a injustiça e a corrupção continuam a assombrar sua terra natal. No entanto, observaria também a oportunidade única de mudança no horizonte.