Há muitas razões pelas quais a vitória retumbante de Gabriel Boric, um parlamentar millennial de esquerda, nas eleições presidenciais do Chile, ecoará muito além das fronteiras da nação andina.
Em tempos que viram o aumento alarmante do autoritarismo em todo o mundo, devemos celebrar que os chilenos rejeitaram não apenas o adversário de Boric, o ultraconservador e falso populista José Antonio Kast, admirador ferrenho do ditador Augusto Pinochet, mas também suas promessas de política anti-imigração, anti-aborto, de medo e intolerância.
Igualmente significativo é que meus compatriotas escolheram através de Boric, que aos 35 anos será o presidente mais jovem da história do Chile, alguém que incorpora o surgimento de uma nova geração em nosso conturbado planeta. As causas que promove são as mesmas pelas quais jovens em todos o mundo vêm lutando: igualdade de gênero, o empoderamento de mulheres e povos indígenas, o fim da brutalidade policial e políticas econômicas neoliberais, um aprofundamento da democracia e dos direitos civis e, acima de tudo, ação urgente sobre as mudanças climáticas.