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COP26: Oportunidade ou contenção de danos tardia?

Logo de uma COP25 sem avanços tangíveis, as expectativas para a nova reunião da ONU sobre mudanças climáticas são altas

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8 Outubro 2021, 12.00
SOPA Images Limited/Alamy Stock Photo

Todos os olhos estão voltados para a COP26, ou a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, Reino Unido, de 31 de outubro a 12 de novembro, porque, após ser adiada em 2020 pela Covid-19, nela serão discutidos os próximos passos para a implementação do Acordo de Paris – o mais importante compromisso multilateral com o clima dos últimos anos, adotado durante a COP21, em Paris, há quase seis anos.

A COP25 em Madri foi um fracasso para as negociações sobre mudanças climáticas. Não apenas porque foi a COP mais longa e com menos questões, mas porque não foram feitos acordos tangíveis em questões-chave como financiamento, responsabilidades e compensação.

Esta nova COP buscará reorientar os esforços globais para enfrentar a crise climática em um mundo convulsionado pela pandemia.

Os signatários do Acordo de Paris também irão discutir como reduzir as emissões globais. Uma das questões centrais será definir uma ou mais metodologias de calibração de redução de emissões. Da mesma forma, esta COP marcará o retorno dos Estados Unidos como protagonista no debate sobre as mudanças climáticas.

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O Acordo de Paris

Para entender o que será discutido na cidade escocesa de Glasgow, é importante entender o que foi acordado em 2015, em Paris.

O Acordo de Paris, ratificado por 196 países em 2015, estabeleceu uma estrutura global para evitar que o aquecimento global alcance 2°C desde a era pré-industrial e, se possível, limitá-lo a 1,5°C, até 2050.

Esta COP marcará o retorno dos Estados Unidos como protagonista no debate sobre as mudanças climáticas

Os 2°C marcam uma forma de limiar. A partir dessa temperatura, os oceanos não seriam capazes de absorver o excesso de gases e as plantas atingiriam seu limite de captura, liberando assim mais gases de efeito estufa na atmosfera. Esses eventos elevariam a temperatura global a um limite desconhecido para os seres humanos.

Manter a temperatura abaixo de 2°C é uma meta que integra evidências científicas, interesses econômicos e a necessidade de se estabelecer políticas públicas climáticas eficazes. Infelizmente, ainda não existem compromissos eficazes e suficientes para tornar a meta viável até a data fixada.

Por isso, é fundamental retomar os diálogos sobre a execução do Acordo de Paris e estipular uma estratégia que inclua:

  • O cumprimento de datas e planos de redução rápida para mitigar o aquecimento global
  • A realização de reuniões periódicas, informar as partes sobre os planos e ações para atualizar e melhorar suas contribuições determinadas em nível nacional e avaliar o andamento do cumprimento do acordo
  • O fortalecimento da capacidade da sociedade para enfrentar as consequências das mudanças climáticas e oferecer aos países do Sul Global ajuda para se adaptar a ela
  • A minimização de danos das mudanças climáticas e ter um sistema de alerta precoce, preparação para emergências e seguro central para os riscos

Estados Unidos à frente

Esta COP também assistirá a uma reorganização da política ambiental internacional. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que seu país assumirá uma posição de liderança nas negociações.

Por ser o segundo país, depois da China, que mais emite gases de efeito estufa no mundo, essa nova posição de seu governo é importante e pode ajudar a descongestionar a agenda política de como implementar o acordo de maneira mais rápida.

Biden afirmou que lutar contra a mudança climática é um "imperativo moral" e que fará tudo a seu alcance para que os Estados Unidos reduzam suas emissões até 2030.

Também anunciou que sua agência para o desenvolvimento internacional (USAID) lançará uma nova estratégia contra as mudanças climáticas, para a qual se comprometeu a dobrar o financiamento anual direcionado aos países do Sul Global até 2024.

Países desenvolvidos precisem se comprometer a aportar mais que países do Sul Global, que em muitos casos são os principais afetados pela emergência climática

Embora seja um bom começo, não foi suficiente para outros países anunciarem metas de redução de emissões mais ambiciosas – resta saber se isso acontecerá durante as negociações.

Os prometidos 100 bilhões anuais não aconteceram

Um dos principais pontos das negociações é o financiamento. Os custos do combate às mudanças climáticas são caros, especialmente agora que não se trata apenas de criar formas de mitigação, mas também de adaptação e compensação dos seus efeitos.

Muitos países, especialmente os países do Sul Global, não têm recursos financeiros para fazer a transição para fontes de energia mais limpas e meios de subsistência sustentáveis.

Dessa forma, estabelecer formas de financiar essas mudanças é fundamental. Para isso, os países que fazem parte da COP se comprometeram, há mais de dez anos, a contribuir coletivamente US$ 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para apoiar a ação climática nos países em desenvolvimento.

Embora pareça um número absurdo, não é tanto se comparado aos gastos militares mundiais em 2020, estimados em pouco menos de US$ 2 trilhões.

Segundo relatório das Nações Unidas, porém, essa meta de arrecadação não foi atingida. Embora a trajetória seja ascendente, é necessário mais recursos para salvar o mundo de uma crise climática absoluta.

Mesmo que seja difícil, o mundo não pode deixar de investir em ações climáticas.

De onde vem o dinheiro? Em geral, o financiamento do clima provém de uma ampla gama de fontes de financiamento públicas e privadas e é canalizado por meio de vários instrumentos financeiros que variam de títulos verdes a empréstimos diretos para projetos de investimento em energia ou tecnologia. Também foram criados fundos especializados, que auxiliam na gestão desses recursos e na destinação dos melhores investimentos para o combate às mudanças climáticas. A soma, porém, ainda é insuficiente.

A questão do financiamento precisa ser abordada na COP26, apesar de ser uma discussão difícil, uma vez que alguns países desenvolvidos precisem se comprometer a aportar mais que países do Sul Global, que em muitos casos são os principais afetados pela emergência climática.

Glasgow precisa ser o palco da COP definitiva simplesmente porque não há mais tempo. O mundo estará atento para ver se esta nova COP é efetiva ou se, como já aconteceu nos anos anteriores, continuará, nas palavras da ativista sueca Greta Thunberg, em puro “blá, blá, blá”.

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