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Equador e os Pandora Papers: ameaças e impunidade

O presidente Guillermo Lasso nega supostas manobras de evasão fiscal – enquanto ameaça as entidades que o investigam

Guillermo Lasso discurando
O presidente do Equador, Guillermo Lasso, foi mencionado nos Pandora Papers
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Em ato realizado no início de outubro, o presidente do Equador e meu oponente nas eleições presidenciais deste ano, Guillermo Lasso, advertiu “aqueles que ousam ​escrutinar” seus bens. Ele se referia aos Pandora Papers publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que revelaram como dezenas de líderes mundiais – incluindo Lasso – esconderam bilhões de dólares para evitar pagar impostos.

Ficou mais do que claro que suas ameaças eram dirigidas principalmente a mim, devido ao meu conhecimento do submundo como especialista em bancos offshore.

Em 2017, o Equador aprovou uma lei anticorrupção que proíbe funcionários públicos de ter ativos em paraísos fiscais, direta ou indiretamente. A lei foi promulgada para evitar a utilização de estruturas financeiras opacas e complexas, como trustes, fundações ou empresas. Em 2020, contestei formalmente a candidatura de Lasso por esse motivo, mas ele assinou uma declaração afirmando não ter propriedades em paraísos fiscais e a comissão eleitoral a acatou.