Mais de duas décadas de turbulência política na Venezuela resultaram no envolvimento de grande parte do mundo. A disputa entre os governos do autoproclamado socialista Hugo Chávez (1999-2013) e seu sucessor Nicolás Maduro, de um lado, e uma aliança da oposição, de outro, se espalhou primeiro pela América Latina e logo se tornou uma disputa global. No início de 2019, o então presidente dos EUA, Donald Trump, apoiado pelo mainstream da oposição, tentou abertamente derrubar Maduro por meio da estratégia de “pressão máxima”: duras sanções econômicas, isolamento diplomático e ameaças de intervenção militar.
A tentativa fracassou. Mas traçou uma linha divisória clara entre os Estados que apoiam Maduro, incluindo Rússia e China, e quase 60 outros países que apoiaram a iniciativa dos EUA e a "presidência interina" do líder da oposição, Juan Guaidó. Três anos depois, o país vive um impasse político e uma grave crise humanitária. No entanto, os dois lados voltaram à mesa de negociações em 2021. Os aliados estrangeiros de ambos precisam apoiar as negociações, atualmente suspensas, para alcançar uma solução para a Venezuela.
Chávez, um populista carismático, usou petróleo barato, finanças generosas e atos de solidariedade para cultivar um círculo de aliados próximos na América Latina e no mundo, entre os quais Cuba. Ao mesmo tempo, ele demonizou aqueles que se opunham ao seu governo, particularmente os EUA e seus acólitos. Mas logo após sua morte em 2013, o início de uma recessão econômica devastadora intensificou o conflito político interno da Venezuela e o espalhou muito além de suas fronteiras.