Desde janeiro de 2019, a Venezuela tem duas presidências opostas e duas visões completamente diferentes sobre como a disputa política deve ser resolvida. O país também teve uma grande vítima, uma população exposta a uma crise humanitária catastrófica. Mais de um ano depois, nenhuma das partes alcançou seus objetivos: o presidente Nicolás Maduro ainda está no poder, sanções rigorosas permanecem em vigor e não há solução no horizonte.
Com o governo se sentindo mais confiante, como evidenciado pela tomada da Assembleia Nacional em 5 de janeiro, e uma oposição abrigando ambições irrealistas para uma rápida mudança de regime, aliados externos devem considerar intensificar seu engajamento, chegando a um acordo que restabeleça competição política justa, promover eleições presidenciais antecipadas, bem como o levantamento gradual de sanções e, além disso, eles devem pressionar seus respectivos aliados dentro do país para aceitá-lo como base para as negociações.
O que a oposição vê como a restauração da democracia, o governo considera um golpe com apoio estrangeiro
À primeira vista, a diferença entre os dois lados parece intransponível. O poder e o controle de quase todas as instituições do país estão nas mãos de Maduro, que baseia sua legitimidade em uma reeleição controversa que ocorreu em maio de 2018, considerada pela oposição e seus aliados internacionais como uma farsa perpetrada por um ditador criminoso.