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A guerra dos homens

Por que a política de segurança pública do Rio de Janeiro é norteada por uma masculinidade bélica?

Polícia militar abordando homem negro
As forças de segurança têm adotado o etos guerreiro no seu trabalho policial
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No dia 8 de junho de 2021, a designer de interiores Kathlen Romeu, grávida de quatro meses, estava de visita no Complexo de Lins, Zona Norte do Rio de Janeiro, e caminhava ao lado da avó quando foi atingida por um tiro de fuzil no tórax. Levada em viatura policial ao hospital, a jovem e seu bebê não resistiram aos ferimentos e faleceram. Denúncias de moradores da comunidade afirmam que a jovem morreu no contexto de uma manobra policial conhecida como tróia, um tipo de emboscada praticada, ilegalmente, em que policiais invadem uma residência para ser usada como ponto de ataque surpresa.

Episódios como esse não são casos isolados. O que o Brasil acumula em termos de violência policial é notório, alarmante e histórico e, de forma alguma, acidental. A repressão ao narcotráfico no país tem se mostrado sangrenta desde os anos de 1980. Foi, paradoxalmente, no período da redemocratização que se estabeleceu uma flagrante militarização na segurança pública, visando como alvo principal a figura masculina, supostamente selvagem e perigosa: o traficante de drogas.

Ao entender a segurança pública como guerra e policiais como soldados, a atuação do Estado é regida por uma lógica masculina militar. Assim, a guerra às drogas é um confronto de duas masculinidades bélicas, tendo de um lado o policial e de outro o traficante de drogas. Na lógica militar de segurança pública prevalece a eliminação do inimigo e a conquista de território. Medidas não-militares de governança são descartadas, enquanto é exigido da população tolerância para ações autoritárias com total desrespeito aos direitos humanos.