A Colômbia comemorou o Dia da Independência em 20 de julho com aviões sobrevoando uma Bogotá sem plateia, já que vários setores da sociedade seguem em quarentena e outros estão passando necessidades básicas, não deixando tempo para entretenimento. O presidente Iván Duque, seguindo a tradição, dirigiu-se a seus compatriotas através da televisão e das redes sociais. Seu discurso, uma lista de conquistas e bajulações de seu governo, atingiu o auge quando disse que, em seu mandato, os assassinatos de líderes sociais no país caíram em 25% em relação aos números entre 2016 e 2018 – ou seja, durante o mandato do ex-presidente Juan Manuel Santos.
A declaração do presidente colombiano é curiosa e, até certo ponto, obtusa, pois está comprovado que os assassinatos de líderes sociais na Colômbia estão em ascensão. Da mesma forma, parece que o governo Duque, ao invés de elaborar estratégias que realmente abordam o problema, limita-se a dar números que mostram que estão fazendo melhor do que o governo anterior.
Neste ponto é importante olhar os números, ou seja, fatos, sobre estes assassinatos: de acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz, Indepaz, entre 7 de agosto de 2016 e 20 de julho de 2018, ou seja, durante o último mandato de Santos, um total de 438 líderes sociais foram assassinados. Por outro lado, entre 7 de agosto de 2018 e 20 de julho de 2020 – durante o atual mandato Duque – 572 líderes já foram assassinados. No total, isto somaria mais de 1000 assassinatos. Os números são horripilantes.