"Quando tínhamos nossa paz de espírito, veio a tempestade, que era a empresa. A multinacional tinha guardas, polícia e exército que faziam prisões arbitrárias, pontos de controle ilegais e nos proibiam de caçar e pescar. A contaminação começou a afetar nossas plantações e elas secaram por causa da poeira do carvão", disse Aura Robles, indígena Wayuú.
A empresa a que a Aura se refere é Carbones del Cerrejón Ltd. (conhecida simplesmente como Cerrejón), que opera uma das maiores minas de carvão a céu aberto do mundo, localizada no departamento de La Guajira, no extremo noroeste da Colômbia, na fronteira com a Venezuela.
Os problemas com esta mina são antigos, mas agora a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) investigará a Carbones del Cerrejón Ltd. em decorrência de uma acusação de abusos dos direitos humanos por seus proprietários: BHP, Anglo American e Glencore. A queixa foi apresentada pela Global Legal Action Network (GLAN), com o apoio de várias outras ONGs colombianas e internacionais.