À medida que nossa camionete sobe a estrada sinuosa que leva às lagoas andinas de Kimsakocha, em Cuenca, província de Azuay, no sul do Equador, vemos a vegetação mudar. Os pinheiros se tornam mais escassos, dando lugar às gamíneas, encobertas pelo nevoeiro que toma conta da paisagem.
Ao volante está Yaku Sacha Pérez Guartambel, conhecido advogado, político e líder ambiental de Cuenca que luta há décadas para proteger a água e preservar esses lugares da voracidade extrativista e que ganhou visibilidade internacional como candidato indígena à presidência do país nas eleições de 2021. Yaku, como é simplesmente conhecido no Equador, estava prestes a ir para o segundo turno, ao terminar o primeiro turno em empate técnico com Guillermo Lasso, candidato de direito e representante da elite política.
Por pouquíssimos votos, Lasso passou para o segundo turno. O Pachakutik, partido pelo qual concorreu, denunciou fraude e uma série de irregularidades que não foram aceitas pela autoridade eleitoral, que estava sob forte pressão do status quo.