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Nestlé compra colágeno que contribui para o desmatamento no Brasil

Diferentemente da carne, o colágeno não está previsto em legislação que obrigaria empresas a rastrear impactos ambientais

Vista área de área de mata devastada
A maior parte do desmatamento ligado à pecuária no Brasil pode ser atribuída a fornecedores indiretos das empresas
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O cheiro ruim anuncia a proximidade dos caminhões. Eles estão carregados de peles, que foram retiradas de carcaças de gado abatido dias antes. Moscas seguem os veículos, provavelmente atraídas pelo forte odor enjoativo e pelo líquido putrefato que goteja pelas frestas dos automóveis não climatizados.

A cena não é bonita. Tampouco parece ser a vida dos moradores do bairro semi-industrial de Arcadas, em Amparo, no estado de São Paulo. É para lá que os caminhões seguem – e onde o odor de carcaça deteriorada se transforma em um muito mais disperso cheiro nauseante de pele de animal cozida. 

Isso porque opera no bairro a fábrica da Rousselot, uma empresa pertencente à norte-americana Darling Ingredients, e que é especialista na extração de gelatina e colágeno, que podem ser obtidos em peixes, porcos e bovinos. A proteína, que se tornou peça fundamental de suplementos de saúde, está no coração de uma verdadeira febre de promessas para uma vida saudável.