Ergueram-se plataformas para a maior celebração de que o país tinha memória. A presságio era de festa. O ar que se respirava era de vitória. E apareceu o espectro da bruxa, Violeta Barrios de Chamorro, conquistando mais votos do que Daniel Ortega. Era 26 de fevereiro de 1990. Prantos, faces pálidas, maldições. Não é possível, como pode o povo votar contra seus libertadores, os heróis que os libertaram da ditadura de Anastasio Somoza.
Tudo sugere que ali, naquele momento, Ortega percebe, mesmo inconscientemente, que o poder é esquivo dentro da democracia. Recuperá-lo e mantê-lo exige manobras ousadas: alianças transitórias com os inimigos da direita ou anulação das políticas emancipatórias se as circunstâncias e a Igreja assim o exigirem. Uma das recentes manifestações de pragmatismo absoluto é a saída da Frente Sandinista da Conferência Permanente dos Partidos Políticos da América Latina e do Caribe, Copppal.
A Frente se negou a ratificar os princípios democráticos da organização. Alejandro Moreno Cárdenas, presidente da Copppal, afirma que os direitos humanos na Nicarágua são ignorados sob a desculpa de defender a soberania e a autodeterminação dos povos.