Nos primeiros meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro priorizou a liberação de emendas para o Ministério da Defesa, garantindo pelo menos 75% dos mais de R$ 200 milhões do orçamento de 2019 até o mês passado para a pasta. Dos mais de R$ 150 milhões destinados à pasta, 98% – praticamente toda a verba – vai para o programa Calha Norte, criado na década de 1980 diante de uma preocupação dos militares com a região amazônica.
Técnicos do governo garantem que não existe motivação política nenhuma por trás dos empenhos feitos neste ano, e que essa verba tem uma razão simplesmente prática: aumentar a capacidade operacional do Ministério da Defesa.
O governo afirma que o desenvolvimento do projeto é fundamental para trazer oportunidades e dignidade para o povo da região remota do norte do país, uma região que abrange um território de 1,5 milhão de km² ao longo de oito Estados – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Roraima, ocupando uma faixa de terra de 160 km de largura com 6,5 mil km de extensão – maior que toda a Colômbia. Mas a realidade mostra que Bolsonaro e membros de seu governo estão mais preocupados em fazer frente às pressões internacionais de implementar projetos que defenderiam a Amazônia da exploração, do que trazer dignidade para as populações locais.