Na tarde de 30 de junho, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) e o governo do presidente Guillermo Lasso assinaram um "ato de paz" sob a mediação da Conferência Episcopal Equatoriana, encerrando uma greve de 18 dias. Durante quase três semanas, o país viveu uma convulsão social, marcada por centenas de interdições de estradas em todo o país, estado de emergência e forte repressão governamental. Antes mesmo de começar os diálogos, o governo Lasso declarou guerra ao povo, prendendo o presidente da Conaie, Leonidas Iza, e autorizando o uso de força letal contra os manifestantes.
O ato de paz pôs fim a duras semanas de grande violência, em que milhares de manifestantes permaneceram em vigília dia e noite e outras milhares ficaram sem o trabalho diário que põe comida na mesa de suas famílias. A assinatura da paz pôs fim ao confronto do povo armado contra o povo desarmado.
Lasso se salvou do impeachment, mas perdeu a legitimidade e está mais vulnerável do que nunca
Mas ninguém saiu ganhando. No entanto, quem mais perdeu foi o povo. Ele colocou seu corpo na linha de frente e perdeu vidas, além do custo humano de centenas de feridos e detidos. Há muitos corpos para curar e pessoas criminalizadas para apoiar. O governo também perdeu. Lasso se salvou do impeachment, mas perdeu a legitimidade e está mais vulnerável do que nunca. A paz pôs fim à violência armada, mas deixou a violência social intacta — talvez pior.