O legado da pandemia foi particularmente cruel para a América Latina saímos. A nossa é a região que mais sofreu mortes por milhão de habitantes, assim como a maior crise econômica. Estamos mais pobres, mais desiguais, mais violentos e menos democráticos do que há uma década. E parece não haver uma saída clara.
É por isso que a região precisa de uma revolução. Segundo o dicionário Oxford, revolução é uma "mudança abrupta na esfera social, econômica ou moral de uma sociedade". Claro, não podemos permitir qualquer tipo de revolução. Não há espaço para mais violência em um mundo assolado por conflitos. O que precisamos é de um afastamento drástico, maciço e pacífico do status quo.
O status quo hoje é a extrema fragilidade do tecido social. Por um lado, temos um sistema político que não interpela seus cidadãos. O crescente descontentamento social com a política faz com que as democracias tenham os níveis mais baixos de satisfação em décadas, com opções fracas e cada vez mais polarizadas. Nos últimos anos também vimos o retorno de golpes na Bolívia, Brasil e Honduras, agora sem soldados, e a normalização do assassinato de centenas de lideranças sociais na Nicarágua, Colômbia, México e Brasil. A tentativa de assassinato de Cristina Fernández de Kirchner é apenas mais um episódio dessa corrente.