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Covid-19: a catástrofe moral tem uma saída política

A governança colaborativa é a única saída para evitar o "nacionalismo da vacina" que tanto afeta a América Latina e o mundo.

Ilustração fotográfica mostra uma seringa de vacina contra o novo coronavírus contra um fundo preto com a palavra Covid-19 em
Allan Carvalho/NurPhoto/PA Images
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A Covid-19 é o vírus da desigualdade, uma vez que fará os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres, como argumenta a OXFAM. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que corremos o risco de ter países que podem controlar a epidemia e outros onde ela se tornará endêmica . E se os governos não começarem a coordenar as ações de resposta, a situação terá, sem dúvida, consequências humanitárias catastróficas.

Vimos a reação egoísta e predatória no início da pandemia, quando países ricos rapidamente asseguraram o fornecimento de testes e suprimentos médicos . O que está acontecendo atualmente com as vacinas é ainda pior. Há poucos dias, o chefe da OMS alertou sobre o "nacionalismo da vacina" adotado pelos países ricos para garantir acesso preferencial às vacinas contra a Covid-19, o que representa um "fracasso moral catastrófico" que ameaça uma distribuição justa e equitativa das vacinas ao redor do mundo.

Em números, isso significa que das 65 milhões de vacinas já fornecidos no mundo, 80% delas foram oferecidas aos Estados Unidos, China e aos países mais ricos da Europa. O relatório de especialistas convocados pela OMS, anteriormente mencionado, argumenta que a maioria dos países mais pobres não será capaz de vacinar mais de 20% de sua população e muitos terão que esperar até 2022.