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A saída de Raúl Castro marca o fim de uma era em Cuba

A revolução sem os revolucionários pode dar lugar a um futuro melhor, se os novos líderes forem capazes de lidar com uma herança pesada

Che Guevara, Raúl Castro e Fidel Castro em preto e branco
Che Guevara, Raúl Castro e Fidel Castro em La Havana, Cuba, 1961
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Após 62 anos, a dinastia Castro deixará o comando em Cuba.

Com um discurso clássico da retórica castrista, forte mas reconciliador, “revolucionário” mas amistoso, desafiador mas concertado, Raúl Castro despediu-se do poder no VIII Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC) na última sexta-feira, 16 de abril, depois de assumir o poder em 2008, após a aposentadoria do irmão Fidel. Sua saída põe fim a seis décadas da dinastia castrista, que transformou uma revolução libertadora, emblema da luta contra o imperialismo norte-americano na década de 1960, em um regime autoritário, repressivo e esclerótico.

Raúl Castro promoveu algumas medidas marcantes de liberalização econômica em Cuba, como a comercialização de automóveis, (algo emblemático após décadas de sobrevivência com automóveis dos anos 1950 e veículos Lada de fabricação soviética) e a entrada de internet móvel na ilha. Sem dúvida, a mudança mais significativa trazida por seu mandato foi o restabelecimento das relações bilaterais com os Estados Unidos entre 2009 e 2016, sob a presidência de Barack Obama.