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Venezuela: estratégias para sobreviver no limite

Os venezuelanos hoje dependem basicamente de programas sociais, além de estratégias que transitam entre a legalidade e a ilegalidade.

Vista aérea de casas populares no morro
Comunidade na periferia de Caracas, na Venezuela - Alamy Stock Photos
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Dizer que existe uma profunda crise política, econômica e social na Venezuela não é surpreendente nem tem um apelo acadêmico ou político especial. Há anos, a crise flagela a população venezuelana cujo sangue respinga sobre o resto do continente e outras partes do mundo através das histórias de quem decidiu fugir do país e se refugiar em outras latitudes, com a esperança de encontrar lá fora o que sentem que lhes é negado em casa.

Apesar disso, uma explicação plausível de como, em apenas 20 ou 30 anos, uma nação que protagonizou uma das mais emblemáticas revoltas contra o neoliberalismo, nos eventos conhecidos como "Caracaço", assume hoje sua condição de ruína e um destino que qualquer um poderia considerar imerecida, a meio caminho entre o desespero e a resignação. Pelo menos na aparência.

A principal dificuldade que existe na Venezuela para analisar o que acontece em qualquer área da vida pública é a extrema opacidade com que as entidades oficiais tratam as informações. Isso inclui toda a esfera econômica e, claro, a esfera social também.