Na última segunda-feira, 25 de maio, quando nós, venezuelanos em quarentena, acordamos sem DirecTV – o principal entretenimento para 11 milhões de pessoas – logo nas primeiras horas viralizou uma mensagem pelos agitados grupos de WhatsApp.
Eu já havia tuitado que minha mãe, com seus 70 anos, havia me ligado, chorando um mar de lágrimas pela ausência repentina do que ela considerava ser praticamente um membro da família. E várias pessoas bem-intencionadas me encaminharam o texto viral. Como um bote salva-vidas naquele superveniente Titanic, a mensagem assegurava que, se você desconectasse o decodificador da DirecTV por cinco minutos, ele resetaria. Depois de reiniciado, pronto, "você terá a DirecTV ativa novamente com todos os canais, exceto os locais".
Meu amigo Luis Francisco Cabezas, sempre muito esperto, respondeu em uma das conversas: "Desculpa, mas isso é como rezar uma novena para o decodificador, uma decisão foi tomada e ela entrará em curso". Deixando de lado o humor, o anseio me fez lembrar do voluntarismo mágico, essa cultura particular cimentada na Venezuela como consequência da renda do petróleo, em que se espera que, sem grandes esforços – além de desejar profundamente – as coisas se resolvam por si mesmas.