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O que a iniciativa da Venezuela no Amazonas diz sobre o governo brasileiro

A crise de Manaus destaca como o governo Bolsonaro despreza o norte e o nordeste, as regiões mais pobre do Brasil.

Funcionários do Cemitério Parque de Manaus
Funcionários do Cemitério Parque de Manaus - Sandro Pereira/PA Images
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Um importante suprimento de oxigênio e 107 médicos da Escola Latino-Americana de Medicina de Caracas, Venezuela, chegaram a Manaus, capital do Amazonas, no sábado (16). A iniciativa vem depois de surgirem relatos de que a cidade de 2,3 milhões habitante havia ficado sem oxigênio para tratar pacientes com Covid-19. A situação deixou os trabalhadores da saúde sem nenhum recurso a não ser administrar morfina para aliviar seu sofrimento enquanto morriam por asfixia.

O oxigênio viajou por terra em oito caminhões, cada um carregando 18 toneladas (80 mil litros) do precioso gás, em uma viagem de 1.500 km de Puerto Ordaz, próximo à costa atlântica da Venezuela. O governador do Amazonas também providenciou para que caminhões brasileiros viajassem na direção oposta para buscar tanques de oxigênio nos reservatórios venezuelanos, em uma negociação direta que contornou o governo de Jair Bolsonaro, que insiste em negar a gravidade da Covid-19.

O presidente brasileiro deixou claro o seu descaso. "Lamento os mortos, lamento, mas todos nós vamos morrer um dia", declarou, antes de acrescentar, deslizando sua homofobia característica, que o Brasil tem que "deixar de ser um país de maricas".