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Mesmo com uma vitória de Lula, Brasil precisa revisar modelo de desenvolvimento

A esquerda latino-americana precisa renovar estratégia extrativista para impedir a hemorragia de suas ‘veias abertas’

Lula discursa
Lula ganhou o primeiro turno das eleições com 48% dos votos
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Dezenas de plantadores de cana-de-açúcar cortam a encosta ocre do Alagoas com enxadas de um metro e meio, chegando a lavrar até 6 km de terra por dia por apenas R$ 41 — menos de US$ 8, para cada turno extenuante.

A diária dos trabalhadores não dá para muito hoje em dia no Brasil. Os custos de alimentos e combustíveis estão subindo, impulsionados por especuladores multinacionais e de commodities. O espectro da fome está de volta ao interior do Alagoas, classificada em sétimo lugar no índice da pobreza de 2021 de 146 municípios brasileiros compilado por Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Em Alagoas, 64% da população ganha menos de US$ 5,50 por dia e muitos dos trabalhadores, como em outras partes do país, estão contando os dias para o segundo turno da eleição presidencial de 30 de outubro e uma esperada vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”Lula vai baixar os preços”, disse José, plantador de cana de uns 30 anos de idade, lembrando a enorme transformação social dos trabalhadores mal pagos – especialmente na região Nordeste – engendrada pelos governos do PT entre 2002 e 2013. Seu pai e avô trabalhavam cortando cana-de-açúcar e seus parentes mais distantes serviram como escravos nas plantações.