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‘Vivos os levaram, vivos os queremos’: raça, classe e os desaparecimentos forçados na América Latina

“Vivos” é um filme sobre a dor e a luta contínua das famílias dos 43 estudantes mexicanos desaparecidos em 2014 em Ayotzinapa. No entanto, é também sobre o papel do Estado nos desaparecimentos forçados na América Latina.

Uma manifestante com o rosto pintado de vermelho segura uma placa que diz "E se seu filho fosse a vítima 44?" em referência a
Uma manifestante com o rosto pintado de vermelho segura uma placa que diz "E se seu filho fosse a vítima 44?" em referência ao caso Ayotzinapa
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Como júri em um festival internacional de documentários sobre direitos humanos, não tive a chance de premiar “Vivos” como melhor filme de sua categoria. Mas, vinda da América Latina e tendo testemunhado de perto essa tensão social, senti urgência em escrever sobre “Vivos”.

Dirigido pelo artista e ativista chinês Ai Weiwei, “Vivos” é um filme sobre a dor e a luta contínua das famílias dos 43 estudantes mexicanos de Ayotzinapa desaparecidos em 2014. No entanto, é também sobre o Estado enquanto perpetuador de uma violência baseada em raça e classe. E claro, sobre o desaparecimento forçado de pessoas – uma ferida aberta na história recente da América Latina.

A composição artística do filme destaca a colorida intimidade das famílias mexicanas, equilibrada com o uso sofisticado de entrevistas com familiares e amigos dos estudantes desaparecidos. Ai Weiwei abre às famílias a possibilidade de recontar sua versão do ‘caso Ayotzinapa’ ou ‘O Massacre de Iguala’.