Um tribunal brasileiro concedeu ao povo indígena Kinja um direito de resposta inédito a uma acusação racista, uma medida que especialistas em direito afirmam que poderia virar o jogo diante da crescente discriminação por parte do governo do presidente Jair Bolsonaro.
Em sua decisão, a juíza federal substituta Raffaela Cássia de Sousa, da 3ª Vara Federal de Manaus, determinou que sites oficiais do governo publiquem uma carta do povo indígena Kinja (também chamados Waimiri-Atroari) por 30 dias, entre outras medidas.
A decisão, emitida em 30 de março, é o resultado de uma série de declarações ofensivas de representantes do governo sobre a resistência do grupo indígena ao plano de construção de uma linha de transmissão de energia elétrica de 720 quilômetros que atravessará a Terra Indígena Waimiri-Atroari na floresta amazônica.