Eu vivi e cresci no campo. As minha primeiras memórias se remontam a mais ou menos 1990, quando morava com minha família no Centro Fátima, uma fazenda de 28 hectares conhecida no Equador como uma experiência pioneira na conservação da floresta tropical úmida.
Dos degraus da casa, eu e minha irmã admirávamos as famosas "montanhas azuis", como meu pai as chamava devido a sua coloração peculiar. Décadas depois, durante minha carreira universitária como biólogo de campo, as conheceria como Andes subtropicais, correspondentes à Floresta Protegida Abitahua do Corredor Ecológico Sanday Llanganates, uma área de transição (ecotone) que conecta as encostas orientais dos Andes equatorianos com as planícies amazônicas.
Em nossa casa, meus parentes contavam inúmeras histórias e lendas sobre essas míticas montanhas, às quais muitos tentaram aceder guiados pelas fábulas de tesouros pré e pós incas, bem como pela sua fauna e flora selvagens. Mas naquela época, e na minha simples compreensão de jovem, poucas pessoas as haviam explorado — pelo menos que eu soubesse.