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Bolsonaro e a cortina de fumaça de sua defesa do voto impresso

O presidente usa a mesma tática de Trump para enraizar a ideia de que ele só perderá as eleições em caso de fraude

Bolsonaro e a cortina de fumaça de sua defesa do voto impresso
Partidários de Jair Bolsonaro se manifestaram à favor do voto impresso em 1º de agosto de 2021 | Ronaldo Silva/Media Production Corp./Alamy Live News
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Jair Bolsonaro venceu as eleições de 2018 no segundo turno com quase 58 milhões de votos, tirando uma diferença de mais de 10 milhões em relação a seu adversário, mas, mesmo assim, o presidente do Brasil afirma que houve fraude eleitoral.

A pauta está entre as mais antigas da agenda de Bolsonaro, que vem desde sua época de parlamentar. No Brasil, o sistema de voto eletrônico foi implantado em 1996, mas Bolsonaro hoje promove uma emenda constitucional que exigiria que as urnas fossem equipadas com uma impressora que permitisse um comprovante do voto, que seria depositado em um "recipiente indevassável". A proposta também prevê a contagem de voto pública.

Em 2015, o então deputado federal liderou a minirreforma que introduziu o voto impresso como forma de auditar as eleições. Em setembro de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a medida inconstitucional, argumentando que o voto impresso violaria o sigilo e a liberdade de voto. Em 2018, o STF já havia suspendido a decisão, que evitou que o novo requerimento fosse usado nas eleições daquele ano.