O Brasil, outrora maior representante da social-democracia na América Latina, rapidamente se tornou um estado pária. Desde sua posse como presidente, em 1º de janeiro de 2019, Jair Messias Bolsonaro lançou seu programa para liquidar a Constituição de 1988, que sancionou o retorno à democracia após mais de duas décadas de ditadura militar.
O ex-capitão das Forças Armadas nunca escondeu seu desprezo pelo Estado de Direito. Desde o início, sabia-se que ele tentaria forçar uma guinada do populismo de extrema direita para o autoritarismo, deixando de lado as salvaguardas do Legislativo e Judiciário. No entanto, ninguém imaginava que isso transformaria o Brasil em uma vala comum para a Covid-19.
O flagelo das milícias
Desde fevereiro, Bolsonaro (sem partido) tem o controle de facto de ambas as casas do Congresso. Ao oferecer regalias (cerca de 500 milhões de euros) e cargos aos representantes eleitos do centrão procura proteger-se contra a abertura de um processo de impeachment por negacionismo histórico (apologia à ditadura), negacionismo ecológico (destruição da Amazônia) e negacionismo sanitário (promoção ativa do vírus).