Enquanto militares e policiais reprimiam a insurreição de 8 de janeiro em Brasília, prendendo mais de mil baderneiros partidários, a máquina brasileira de rumores girava a todo vapor. Para surpresa de ninguém, os apoiadores do presidente derrotado, Jair Bolsonaro, estavam convencidos de que os vândalos eram as vítimas. As mídias sociais e os grupos de mensagens privadas não cansavam de reverberar histórias de abuso policial, prisões arbitrárias e centros de detenção semelhantes a "campos de concentração".
Os influenciadores da “alt-right” brasileira se inspiram fortemente em seus homólogos americanos. Assim como os conspiradores dos EUA, insistiram que o movimento antifa e o Deep State estavam por trás do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, alguns canais de mídia social de direita atribuíram o ataque aos Três Poderes – o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) – a militantes da esquerda, que teriam se infiltrado no movimento para difamá-lo.
A deputada federal Bia Kicis, fiel aliada de Bolsonaro, anunciou no Twitter a morte de uma idosa sob custódia policial. Era mentira, mas pouco importa: o tuíte acumulou 1,1 milhão de visualizações antes de ser desmentido pelos verificadores de fatos. Os exaltados guerreiros de extrema-direita do Brasil não ficam atrás de ninguém na batalha campal da pós-verdade.