democraciaAbierta: Opinion

COP26: A América Latina chega já atrasada

A região avançou pouco na luta pelo clima, com Brasil, Argentina, Colômbia e México impondo os maiores obstáculos

democracia Abierta
28 Outubro 2021, 12.00
A conferência sobre o clima começa dia 31 de outubro, na Escócia
|
Alamy Stock Photos

Diante da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26) em Glasgow que começa no próximo domingo, 31 de outubro, o openDemocracy/democraciaAbierta conversou com Javier Dávalos, diretor do programa de mudanças climáticas da Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA), sobre as negociações e a situação dos países latino-americanos às vésperas do encontro multilateral.

NDCs e metas mais ambiciosas

Para Dávalos, é fundamental que a COP26 aborde as atualizações das contribuições determinadas em nível nacional.

Quando o Acordo de Paris foi ratificado, cada país signatário se comprometeu a reduzir suas emissões nacionais e se adaptar aos efeitos das mudanças climáticas. Para dar seguimento a esse compromisso, foram criadas Contribuições Nacionalmente Determinadas, ou NDCs pela sigla em inglês. As NDCs estão no cerne do acordo, porque incorporam os esforços com os quais o país está comprometido e o que pretende fazer para reduzir suas emissões.

Dávalos explicou que “muitos países apresentaram novos compromissos climáticos. Dos 197 países que fazem parte das Nações Unidas, 85 atualizaram suas NDCs, e isso é importante”.

Outro ponto relevante será, como ressaltou Dávalos, “fazer o balanço global das emissões. O que o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) revelou é que os esforços feitos até agora são insuficientes. Precisamos de mais ambição de parte de grandes emissores como China, Índia e México".

Responsabilidade e compensação

Uma das questões mais importantes de qualquer COP é a questão da responsabilidade e compensação, que se refere a identificar os maiores emissores e, portanto, fazê-los recompensar os países mais afetados pelas mudanças climáticas

Diante disso, no entanto, a ONU tem se mantido cautelosas ao atribuir responsabilidades que dão origem a compensações. Há muita expectativa sobre este ponto, uma vez que países vulneráveis ​​aguardam uma decisão, mas é uma questão que sempre se evita nas COPs.

Dávalos diz que "embora seja uma questão central, não se sabe se será uma questão chave nesta COP devido aos problemas que levanta".

Energias renováveis, transição de energia e net zero

Considerando que faltam menos de dez anos para 2030, prazo estipulado pelo Acordo de Paris, a COP26 precisa chegar a algum consenso em relação os rumos energéticos dos países: queremos uma transição da matriz energética, um compromisso com as energias renováveis ou compromisso com a ambiciosa meta net-zero de atingir emissões globais zero até 2050?

Dávalos garantiu que “a net zero, por um lado, é muito criticada porque visa emissões zero, o que é muito difícil. Por parte das ONGs, não é algo que estamos endossando na América Latina”. Questionado sobre qual seria o caminho, afirmou que “o fundamental é fazer uma transição energética justa, onde existam fontes renováveis ​​de energia, energias limpas, com sistemas de geração mais democráticos que permitam manter a temperatura global abaixo de 1,5°C”. Dávalos também destacou a importância de os países terem metas de longo prazo, que as NDCs nutram progressivamente.

A América Latina pouco avança

Com exceção da Costa Rica, os países latino-americanos chegam à COP26 bem atrasados ​​em relação a suas NDCs, afirmou Dávalos.

Em setembro de 2021, a organização Climate Action Tracker fez uma análise da situação das NDCs de cada país, mostrando que a situação na América Latina é preocupante. Especialmente quatro países – México, Colômbia, Argentina e Brasil – têm compromissos nacionais insuficientes. O México e o Brasil são os dois maiores responsáveis por emissões de carbono na região, o que não pode ser ignorado.

Nesse contexto, Dávalos destaca que “existe uma questão de ambição que não permite que a região avance. Alguns exemplos concretos são: desmatamento intenso no Brasil e na Colômbia e as reformas energéticas no México, que podem aumentar a dependência de combustíveis fósseis na rede de geração de eletricidade”.

Os demais países da região apresentam níveis insuficientes de progresso, com exceção da Costa Rica, o único país que fez progressos relativos no cumprimento de suas NDCs.

Está claro que a América Latina não tem conseguido avançar como deveria em seus compromissos climáticos. Resta saber que promessas farão na COP26 e, principalmente, quão viáveis ​​são.

Unete a nuestro boletín ¿Qué pasa con la democracia, la participación y derechos humanos en Latinoamérica? Entérate a través de nuestro boletín semanal. Suscríbeme al boletín.

Comentários

Aceitamos comentários, por favor consulte ás orientações para comentários de openDemocracy
Audio available Bookmark Check Language Close Comments Download Facebook Link Email Newsletter Newsletter Play Print Share Twitter Youtube Search Instagram WhatsApp yourData