“Eu estava inconsciente. Quando acordei e vi que a polícia estava lá, eles já estavam me algemando […] eu nem entendi […] só sei que eles só me espancaram, me trataram muito mal. Quando eu finalmente consegui perguntar o que estava acontecendo, me disseram que eu tinha matado minha filha. Que pegaria 50, 60 anos de prisão pelo crime que cometi.”
É assim que Teodora Vázquez explica as circunstâncias de sua detenção, após dar à luz um bebê natimorto em 2007. Ela foi condenada por homicídio qualificado, condenada a 30 anos e solta apenas em 2018, após uma longa batalha judicial.
El Salvador proíbe o aborto em todas as circunstâncias e sem exceção, mas também frequentemente processa mulheres que sofrem abortos espontâneos ou dão à luz natimortos por “homicídio qualificado”. Algumas mulheres foram processadas após procurarem atendimento médico devido à complicações durante a gravidez que levaram ao aborto, sob suspeita de terem tentado abortar.