democraciaAbierta

O deslocamento de pessoas devido à violência na fronteira com a Colômbia provoca alerta

Milhares de pessoas que tiveram que deixar suas casas estão vivendo em abrigos e em condições precárias

7 Julho 2021, 12.00
Pessoas fugindo em lancha
|
Médicos Sem Fronteiras – Colômbia

Nem comida suficiente, nem um lugar decente para dormir. Um mês depois que as primeiras pessoas deslocadas pelos confrontos entre grupos armados chegaram das áreas rurais a San José, no município de Roberto Payán em Nariño, noroeste da Colômbia, na fronteira com o Equador, a resposta às necessidades básicas dos afetados continua atrasado e deficiente, segundo a organização médico-humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). Situação que não é apenas evidente neste município, mas também nos deslocamentos e confinamentos derivados do conflito armado nos municípios de Magüí Payán, Barbacoas e Tumaco, também no departamento de Nariño.

“Desde 7 de maio, mais de 5.200 mil pessoas tiveram que deixar suas casas e se alojar em abrigos improvisados, casas de familiares e amigos em San José, sede municipal de Roberto Payán. Há um mês, estamos verificando como, apesar dos esforços da administração, centenas de pessoas ainda não têm alimentos básicos garantidos ou condições de dormir decentes”, explica Luis Argote, coordenador das atividades da MSF na região. O coordenador acrescenta que o abastecimento de água, higiene e saneamento básico também é um fator de preocupação e uma das necessidades mais prementes.

A equipe da MSF doou mais de 2.350 esteiras, lençóis e mosquiteiros, além de tanques para armazenamento de alimentos, utensílios de cozinha e equipamentos de higiene. A organização também oferece serviços de saúde mental, detecção precoce de doenças e já fez mais de 20 encaminhamentos para o hospital. Da mesma forma, facilita a coleta e purificação da água para a população, para que possa manter a higiene e o saneamento básico.

MSB80033_Medium.jpg
Desplazados en San José de Payán. | Cortesía Médicos Sin Fronteras Colombia.

Os principais efeitos para a saúde são doenças respiratórias e digestivas agudas em crianças, malária e dengue. Doenças crônicas incluem problemas de saúde mental, com efeitos moderados e graves, por terem presenciado violência, pelas condições de deslocamento e pelo desaparecimento forçado e perda de familiares.

“A situação também se agrava se levarmos em conta que o número de infecções por Covid-19 no departamento e na sub-região de Telembí aumentou significativamente, assim como os casos de malária e dengue. É preciso lembrar que essas duas últimas doenças podem ser prevenidas. É inadmissível que essa população se mantenha por mais tempo nessa lamentável situação", diz Argote.

A MSF, que alerta que o número de deslocados pode aumentar, reitera seu apelo ao governo e às agências humanitárias para garantir com urgência o acesso dessas comunidades a saúde, alimentação, água, higiene e saneamento, abrigo e proteção.

Confira alguns vídeos da situação dos deslocados em San José de Payán:

Unete a nuestro boletín ¿Qué pasa con la democracia, la participación y derechos humanos en Latinoamérica? Entérate a través de nuestro boletín semanal. Suscríbeme al boletín.

Comentários

Aceitamos comentários, por favor consulte ás orientações para comentários de openDemocracy
Audio available Bookmark Check Language Close Comments Download Facebook Link Email Newsletter Newsletter Play Print Share Twitter Youtube Search Instagram WhatsApp yourData