“Tudo tem um significado único, especial, particular e extraterrestre”, escreveu Hilse em uma manhã de 2022, em Bogotá. Assim descreve sua experiência como migrante na Colômbia: uma sucessão de eventos incontroláveis que a levaram a um novo território, a um novo país, no qual nada se sabe, mas tudo acontece como se predestinado – ordenado por um passe de mágica.
Hilse León é de Caracas, capital da Venezuela. Filha de um marionetista e de uma atriz de teatro, cresceu rodeada de arte. Hilse é dançarina contemporânea, professora de dança contemporânea, professora de pilates e estudante da arte da improvisação. Hoje, ensina dança na Pontifícia Universidade Javeriana.
Ela já havia estado na Colômbia antes. Mas quando viajou ao país com a filha em 2018 para visitar o pai, dediciu ficar, temendo que a crise sócio-política da Venezuela continuasse a piorar. "Não foi um processo planejado", diz. Para ela, assim como para a maioria dos quase 2,5 milhões de migrantes venezuelanos na Colômbia, sua migração lhe foi imposta.