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A desinformação nas redes não apenas ameaça as eleições municipais, mas também corrói a democracia

As medidas de controle precisam, ao mesmo tempo, combater a desinformação, conteúdos extremistas e ataques cibernéticos. Qualquer omissão não é apenas perigosa para as eleições deste ano no Brasil e nos Estados Unidos. É letal para a democracia em todo o mundo.

Ex-ministro da Justiça Sergio Moro tirando uma selfie durante as eleições municipais de 2020 em Curitiba, Brasil, no domingo,
Ex-ministro da Justiça Sergio Moro tirando uma selfie durante as eleições municipais de 2020 em Curitiba, Brasil, no domingo, 15 de novembro de 2020
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Muitos brasileiros se preocuparam com a torrente de desinformação nas redes sociais durante as eleições presidenciais americanas deste ano, que foram duramente disputadas. Isso se deu porque eles enfrentam desafios semelhantes durante suas próprias eleições municipais neste mês. Estas eleições, embora locais, são importantes: com 5.570 municípios no Brasil – incluindo cidades-chave como São Paulo e Rio de Janeiro – os resultados podem moldar o cenário político para a disputa presidencial de 2022. Assim como os americanos, os brasileiros estão votando em meio a uma pandemia devastadora, uma crise econômica ruinosa e um tsunami de propaganda digital.

O primeiro turno das eleições municipais em 15 de novembro, pelo menos, trouxe melhoras: houve menos propaganda digital e desinformação do que durante a controversa campanha presidencial em outubro de 2018. Apesar das expectativas de uma onda de vitórias da extrema-direita, apenas 14 dos 58 candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro se elegeram na semana passada. Enquanto alguns ex-membros do Exército e da polícia assumiram cargos, os eleitores esmagadoramente apoiaram políticos mais moderados e de centro-direita, incluindo um número recorde de mulheres e candidatos transgênero. Uma razão para a ausência de embates digitais desta vez se deu porque as instituições públicas e as plataformas de redes sociais tomaram medidas para mitigar fake news, discursos de ódio e difamação.

A poucos dias do segundo turno das eleições em 29 de novembro – que inclui São Paulo e Rio de Janeiro – o país ainda não está fora de perigo. No início deste mês, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) sofreu um grande ataque hacker. Nas véspera das eleições, outro ataque contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gerou rumores nas redes sociais de fraude e de urnas eletrônicas defeituosas.