Skip to content

Disfarces da homofobia

Temos muito caminho pela frente na batalha contra os múltiplos disfarces da homofobia e do neoliberalismo

Disfarces da homofobia
Marcus Beckert / Alamy Stock Photo
Published:

Em recente debate com a historiadora Lilia Schwarcz, respondendo a uma de suas perguntas, eu retornei a uma questão já tratada em meus dois livros mais recentes, “Tempo bom, tempo ruim” (2015) e “O que será” (2019): a relação profunda entre a subjetividade de LGBTQs e a homolesbotransfobia. Ou seja, desde a mais tenra infância, quando iniciamos e expressamos nossas primeiras identificações com as representações dos papéis de gênero atribuídos aos sexos biológicos, nós gays, lésbicas e trans somos submetidos a diferentes expressões da homofobia e/ou transfobia, começando pela sua expressão linguística: o xingamento, o insulto, a injúria: “viado, tome jeito de homem”, “sapatão, se comporte como mulher”.

Desse modo, a subjetividade de LGBTQs é inseparável dessa violência que a estrutura e lhe deixa com profundas feridas e traumas mais ou menos inconscientes. A mais graves dessas feridas são a vergonha e o ódio de si, e, por conseguinte, a vergonha e ódio daqueles que são como você.

Como toda psique quer sobreviver, gays, lésbicas e pessoas trans recorrem primeiro inconscientemente e, depois, conscientemente a diferentes recursos para se protegerem dessa violência que não cessa e que opera em dois sentidos: de fora para dentro e de dentro para fora. O mais comum desses recursos é o armário.