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O FMI impõe mais austeridade ao Equador, embora pregue o contrário

O FMI que aparece nas reuniões anuais não é o mesmo FMI que elabora os programas de empréstimos, como mostra o caso do Equador.

Graffiti que diz: "FMI, vamos bem", durante os protestos em massa contra o FMI em Quito, Equador, em outubro de 2019
Graffiti que diz: "FMI, vamos bem", durante os protestos em massa contra o FMI em Quito, Equador, em outubro de 2019 - Francesc Badia i Dalmases
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Em seu discurso de abertura da reunião anual deste ano, a diretora administrativa do FMI Kristalina Georgieva alertou para os perigos de uma recuperação desigual e da desigualdade crescente. Falou também da necessidade de uma recuperação inclusiva. Caso contrário, Georgieva advertiu, corremos o risco de recriar o mundo distópico do romance "Um Conto de Duas Cidades" de Charles Dickens.

Poucos dias antes desse discurso, o FMI publicou seu último acordo de empréstimo com o Equador. Nele, encontramos exatamente as mesmas prescrições políticas contra as quais Georgieva advertiu.

A discrepância entre a retórica do FMI e suas ações não é nova. Há anos, o departamento de pesquisa do FMI mostra que a austeridade e muitas das reformas impostas pelo FMI agravam a desigualdade, enquanto os líderes falam de um FMI que apoia o "crescimento inclusivo".