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O que há por trás do sucesso proclamado da vacinação no Chile?

A campanha no Chile funciona, mas a tentação de uso eleitoral e a falsa sensação de segurança convidam a não baixar a guarda.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, posa após receber a vacina chinesa Sinovac
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, posa após receber a vacina chinesa Sinovac em um centro de saúde em Futrono, uma cidade na região sul de Los Ríos, Chile, em 12 de fevereiro de 2021
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Nas estatísticas mundiais, o Chile aparece como um dos países com maior número de vacinação no mundo contra a Covid-19 nas últimas semanas. As estatísticas são claras, quase três milhões receberam pelo menos uma dose da vacina, isso é, uma taxa de 32.6 a cada 100 habitantes, quando na União Europeia a taxa é de 11.12 (dados de 15 de março).

Fonte: Our World in Data https://ourworldindata.org/covid-vaccinations

Diante do que se apresenta como uma campanha exitosa e um consenso midiático, urge alertar sobre três elementos chaves que questionam a perspectiva hegemônica e alertar três atores chaves na luta contra a pandemia: os epidemiologistas, cientistas sociais e jornalistas; os políticos e os cidadãos.

Por trás das cifras

As estatísticas oficiais pintam um panorama muito exitoso para o Chile. Porém, por trás da cifra de 6,9 milhões de vacinados em 15 de março, há uma realidade mais díspar. Apresentam-se as estatísticas como se todas as vacinas fossem igualmente efetivas e se fala da população imunizada quando apenas 2 milhões de pessoas receberam as duas doses das 2,88 milhões de vacinações realizadas. As cifras entregues pelo DEIS indicam que 18,6% das pessoas se vacinaram, mas o cálculo da população alvo considera um universo de pouco mais de 18 milhões, quando as estimativas do INE em 2020 apontavam que são quase 19,5 milhões de pessoas. Do total das vacinas 6.490.652 são CoronaVac e 504.168 Pfizer/BioNTech.