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Garimpeiros controlam céu sem lei em terras indígenas

Durante sobrevoo à Terra Indígena Yanomami, um avião ilegal de pequeno porte tentou interceptar a aeronave da reportagem

Garimpeiros controlam céu sem lei em terras indígenas
Bruno Kelly/Amazônia Real
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A visão não é a de um formigueiro humano como no garimpo de Serra Pelada, no Pará. Na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, o garimpo ilegal destrói a Floresta Amazônica de forma pulverizada, mas não menos feroz. Os núcleos de mineração de ouro se dispersam ao longo dos rios Uraricoera, Parima, Mucajaí e Couto de Magalhães. Em cada um deles, os solos expostos em extensas clareiras tingem a paisagem antes verde de um marrom dourado, quase ferrugem. São como cicatrizes abertas. Uma água barrenta escorre de lagoas de sedimentos e jorra para os rios. Há muito mercúrio, ainda largamente utilizado na extração do cobiçado minério. Mas carrega também o sangue dos Yanomami, que pedem socorro.

“Vocês verão muitas coisas ruins do avião; altos maquinários. Você vai se sentir triste, como nunca viu, como uma pessoa que entra na sua casa e estraga seu terreno. Vai ver que estamos falando a verdade. Você pode olhar, para você acreditar”, alertou o líder indígena Davi Kopenawa Yanomami. Reconhecido mundialmente como um grande defensor na luta pelos direitos da Terra Indígena Yanomami (TIY), Davi Kopenawa autorizou o sobrevoo feito no dia 30 de abril pela reportagem sobre as áreas de garimpo ilegal. Ele sabia que haveria riscos.

O avião da reportagem partiu de Boa Vista, capital de Roraima, e demorou uma hora até chegar à primeira área de garimpo. O verde da floresta amazônica predominava na paisagem nos primeiros 30 minutos de sobrevoo, já dentro dos limites da TIY, quando um avião de pequeno porte cruzou na frente da aeronave que transportava a reportagem. Localizada no extremo Norte do Brasil, a terra indígena de 9,6 milhões de hectares fica entre os estados de Roraima e Amazonas, e se estende até a fronteira com a Venezuela. À medida que as imagens da devastação do garimpo ilegal avançavam, aumentava também a presença de aviões e helicópteros que sobrevoavam o local, como se céu e terra pertencessem aos garimpeiros ilegais. É a quarta grande corrida do ouro desde os anos 1970.