Como um autodenominado libertário, admirador de Donald Trump e Jair Bolsonaro que quer privatizar até as ruas, conseguiu chegar ao terceiro lugar nas pesquisas para as eleições presidenciais de outubro de 2023? A história da chegada de Javier Milei na política argentina poderia começar com essa pergunta.
O economista de 52 anos com um estilo "roqueiro" ganhou fama há alguns anos em programas de entrevistas na televisão, onde atacava virulentamente o economista britânico John Maynard Keynes usando argumentos de que não passava de um economista que trabalhava para "políticos ladrões". Ao mesmo tempo, difundiu suas ideias "libertárias" em uma peça teatral, uma espécie de monólogo com pouca produção, diante de grandes plateias, na qual se destacava uma grande presença de jovens.
Vários meios de comunicação começaram a falar sobre o economista do "penteado estranho", devido ao seu estilo particular. Em resposta, Milei dizia que simplesmente abria a janela do carro e a mão invisível do mercado penteava seus cabelos. Pela primeira vez, nos grandes programas de televisão veiculados em horário nobre, via-se alguém que se autodenominava "anarcocapitalista" e que defendia que o Banco Central tinha que ser dinamitado.