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'O governo colombiano não escuta, despreza o povo'

A explosão social na Colômbia não deveria ser nenhuma surpresa. Laura Quintana, filósofa colombiana, analisa a situação.

'O governo colombiano não escuta, despreza o povo'
Protesta en Bogota, Colombia, el 5 de Mayo 2021 | María José González Beltrán/Alamy
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Não há sofrimentos perpétuos, exceto para aqueles que aceitam sua condição para sempre. Os colombianos se rebelam contra essa afirmação. Existem duas visões de país que, por ora, parecem inconciliáveis na Colômbia. Uma é representada pelas palavras da senadora pró-governo, Paloma Valencia, que clama por "uma ação militar enérgica e sustentada para restaurar a ordem social". A outra vem do senador da oposição, Jorge Enrique Robledo, que afirma que “a greve nacional deve continuar em resposta às necessidades de todos os colombianos”.

Laura Quintana é filósofa da Universidade de los Andes, com mestrado e doutorado, também em filosofia, pela Universidade Nacional da Colômbia. Seus trabalhos mais recentes visam compreender as afetividades políticas, ou nos "estados emocionais" da comunidade. Concentra-se na raiva e no ressentimento, com o interesse de distinguir esses dois afetos, entendendo em que casos eles são destrutivos e em que casos não o são e como cada um passa à ação política.