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Mães 'invisíveis': as vítimas não contabilizadas da violência estatal

Um ano após operação no Jacarézinho, a mais mortal do estado do Rio de Janeiro, mulheres enlutadas lutam por justiça

Agentes armados com rifles patrulham rua
Polícia Militar patrulha favela do Jacarézinho durante operação em janeiro de 2022
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Todos os dias, desde 6 de maio de 2021, Sandra Gomes dos Santos espera por um som familiar: o portão da frente destrancando e o chamado: “Mãe, estou aqui!”. Todas as manhãs desde aquele dia fatídico, Adriana Santana de Araújo se pega checando seu telefone, à espera de uma mensagem de “bom dia” de seu filho.

Ambas as mulheres esperam em vão. Seus filhos estão entre as 28 vítimas fatais da operação policial mais mortal da história do estado do Rio de Janeiro. Policiais fortemente armados invadiram Jacarézinho, uma das maiores favelas do Rio, em busca de traficantes de drogas. O ataque ocorreu poucos dias antes do Dia das Mães. Santos e Araújo foram apenas duas das muitas mães que passaram o Dia das Mães enterrando seus filhos.

E esse era apenas o começo. Elas também têm que lidar com o negócio enervante que é tocar a vida. “Temos que sobreviver todos os dias”, disse Araújo, enquanto Santos concordava com a cabeça. Nossa entrevista aconteceu em uma escola de samba, a poucos metros da entrada do Jacarézinho. Santos, que ainda mora aqui porque não tem condições de alugar nada em nenhum outro lugar, vive com medo constante da polícia que ronda as redondezas. Os agentes são parte da Cidade Integrada, um programa que mantém policiais permanentemente posicionados dentro de favelas, supostamente para proteger os moradores da exploração financeira por gangues. Mas alguns dos policiais do Jacarézinho fizeram parte da operação em que o filho de Santos foi morto.